Foram 20 dias de viagem. Agora daqui da minha cristaleira transformada em escritório lembro das coisas que vi. Aqui nessa terra que amanhece só as 8 e meia da manhã, em que os queijos custam muito e os vinhos muito pouco, e a carne tem preço vegetariano.

A natureza definitivamente se mudou daqui: não existem formigas, por mais que você insista em deixar o copo de iogurte na mesa o dia inteiro. Nem as moscas nos visitam. Não que eu sinta falta, mas como deve se sentiir um europeu ao chegar no Brasil e ver o seu café saqueado pelas formigas?
As paredes são tão finas que se ouve a televisão do seu vizinho, e se você se concentrar por um minuto vai poder perceber sobre o que conversam ou comum pouco de esforço, quantas colheres de açúcar põem no café (ok, essa foi exagero). Ou seja: conversar alto só até as 11 da noite. Dá uma saudadinha da Federação, festa só até as 5. Da manhã.
E as janelas tão grossas que não se ouve um barulho de carro sequer, nem vendedores de verdura gritando as 6 da manhã, nem de jornal, nem de gás, nem amoladores de faca. Bom, se eles existem aqui eu não ouvi ainda, devem ter desistido.
Mas a viagem, sim, passamos por muita coisa, por várias cidades, alguns albergues e pensões, algumas noites mal dormidas, alguns conflitos, algumas paisagens lindas, alguns lugares caros demais pra entrar, outros de graça, de surpresa.
Pois bem, eu vi o trânsito caótico de Roma, uma cidade que não tem semáforos na maioria dos cruzamentos e onde é comum se ver cacos de vidro provenientes das batidas. Um motorista só para na faixa se você estiver na frente dele, acho que a multa por atropelo deve ser grande. Ou o conserto do carro.
Eu vi Edi perder e encontrar as luvas, cachecol e gorro pelo menos umas 4 vezes. Na última ele perdeu de vez o cachecol vermelho que está nas fotos do meu flickr.
Eu vi Nina chorar de saudade, depois de sair da Igreja de Monza.
Eu vi o Coliseu, uma obra de gênios construída com mais de 80 entradas para facilitar o fluxo de pessoas, ser explorada por idiotas que instituíram uma ÚNICA entrada e uma fila quilométrica, por 13 euros. Sem pão nem circo.
Eu vi o preconceito estampado na cara de s. Giuseppe, dono do hotel que ficamos em Mestre, perto de Veneza, ao falar de uma outra pensão que abrigava todo tipo de gente: “Albanesi, Africani..”.
Eu vi o enorme shopping center ao ar livre em que Veneza se transformou (não que eu a tenha visitado antes, mas imagino que não foi sempre assim). E vi o incrível sistema de transporte por barcos que tem lá, com estações como se fosse um metrô normal.
Eu vi Murano, onde tem fábricas de vidro artesanal.
Não vi fazendo os vidros, era feriado. chuif.
Eu vi que eu já estou a um tempão escrevendo isso aqui. Fim da parte 1.
Ah, e eu vi que eu acabei de ser aprovado no mestrado da PUC, brigado.