Em primeiro lugar, não tenho nada contra os Hare Krishnas, pelo contrário. Mas veja só o que as entidades filantrópicas são obrigadas a fazer para se manter.

Hoje fui dar um mergulho na praia, e quando saio ouço de longe “Hare krishna krishna krishna hare hare..”. Avisto ao longe um monte de gente caminhando, cantando e dançando, com roupas coloridas.

Um Hare Krishna se aproxima e me entrega dois panfletinhos. Um explicando o que era tudo aquilo, com a letra da música que eles estavam cantando, na frente:

Festival das Flores - frente e verso do panfleto

Peraí, mas essa música não era do Nando Reis? Brincadeira..

E no outro panfleto.. Templo Hare Krishna, apresenta 14 bis??? R$30,00

14bis

Isso tá certo?

Tudo bem que os Hare-Krishnas, pelo pouco que eu sei, não fazem voto de pobreza, mas também não deveriam ter que produzir shows pra pagar as contas.

Será que eles vão fazer um cover de My Sweet Lord do George Harisson? A galera vai ao delírio!

Meu amigo Breno me trouxe um exemplar da nova revista da Turma da Mônica pra me mostrar como eles mudaram.

O exemplar era o 21 da revista da Magali. 21? é antigo? Não, 21 porque eles começaram uma nova contagem, ao que parece. Estavam em mil-e-não-sei-quanto.
Leia essa sequência de quadrinhos, eles adicionaram novas expressões, mais exageradas (quadros 3, 4 e 5) e o diálogo é bem espertinho:

Revista Magali n. 21

Revista Magali n. 21

Mais incrível do que a brincadeira com a metalinguagem do fio do telefone, onde a Magali ultrapassa o limite que não existe, é a referência que a Mônica faz para evidenciá-la, ensinando pro leitor pequeno o que é uma figura de metalinguagem. Genial!

E as expressões, repare na da Magali no primeiro quadrinho, os olhos não tem divisão entre si. Esse é o desenho clássico da Turma da Mônica. Contrapondo aos quadrinhos 3,4 e 5, com o novo estilo de olhos delimitados.

As vezes quando a gente ouve musica na rua parece que tudo fica sincronizado

A Invasão dos Pássaros A pracinha de Santurtzi, com suas mesinhas de jogar dama, em conjunto com a igreja que fica em frente a ela, formam o principal ponto de encontro da população. Mas o que vou narrar aqui são os fatos que a transformaram em atração de uma certa semana de janeiro, quando foi travada nestas terras uma batalha sem precedentes.

Naquela fatídica semana de janeiro notei, ao cair da noite, passando pela praça, o estardalhaço feito pelos pássaros. Pensei ser algo natural, típico dessa época do ano por aqui, afinal são aves migratórias e esta cidade é portuária. Porém, o barulho estava ficando maior a cada da que passava, e o cheiro incrivelmente forte de merda de pássaro que inebriava o ar indicava o pior: a invasão tinha começado.

Em muitíssimo pouco tempo, a praça estava tomada: os velhos não jogavam mais damas, não conviviam mais na praça, as crianças não iam mais ao parquinho.

Parque Santurtzi 2

No começo não acreditava que a quantidade de pássaros representasse um problema, se o incômodo fosse APENAS pela tarde. O problema é que o cocô fermentava pela noite na terra dos jardinzinhos e pelo dia exalava uma catinga que não era mesmo deste mundo.

Parque Santurtzi 1

Impossível, a invasão dos pássaros representava uma séria ameaça à vida social da população, e esta não iria ficar de braços cruzados ao ver os seus domínios serem subtraídos, mesmo que por um exército de 10 mil aves.

O conflito estava posto, e a população depositou suas esperanças no especialista nacional em controle de pragas aviárias, pronto para lidar com a situação, com um currículo extenso, cruzava o país inteiro resolvendo esses tipos de conflito. E o seu fiel experiente gavião, imponente, sempre ao ombro, tomou uma surra fenomenal dos piriquitos, que não arredaram o pé da praça e caçoavam dos velhinhos, jogando-lhes mais e mais titica.

Eis que a tecnologia foi posta em prática. Foram instalados dispositivos sonoros nas árvores, em pontos estratégicos do parque, e a vitória então se daria por ataques diários sucessivos, começando às 17:30, e de quinze em quinze minutos. Durante a semana toda a população veio assistir os pássaros serem espantados por barulhos artificiais de bomba e sirenes.

De fato, foi um espetáculo ver a nuvem de pássaros se erguer com o susto, mas não sem contra-ataques de 70% nitrogênio e 30% fibras (conteúdo da titica). A bomba explodia de cá, os pássaros cagavam de lá. E a velharada ia ao delírio! Aplausos, aplausos! A cada 15 minutos uma bomba, uma enxurrada e aplausos!

-”..pero hay que tener paciência” – Dizia o porta-voz do setor (na certa) para assuntos aviários da prefeitura no jornal.

Os estoques de semente de girassol já estavam quase no fim, e por mais que os pássaros resistissem, estavam ficando fracos. A população pensa que eles foram embora pelo incômodo causado pelo barulho. Já eu penso que eles foram vencidos pela diarréia. De uma forma ou de outra, limpos os bancos e revolvida a terra, a paz foi estabelecida novamente na praça, que é outra vez dos velhinhos e das crianças.

Porém um passarinho me contou que ano que vem vai ser pior..!

Fim

..e pra não dizer que eu tô inventando, segue abaixo o vídeo do jornal (o audio não ficou muito bom):

Nota curta. Ontem a noite, vindo pra casa de trem, meio sorumbático, desperto com um aviso do condutor

“Por motivos de seguridad, no vamos parar en la estación de Peñota”

A estação anterior à nossa (Santurtzi), que é a última da linha. Ao saírmos da estação já vimos as luzes dos carros da Ertzaintza (polícia Basca), e os policiais ao longo da rua, parando todo o tráfego da avenida.

Chegamos um pouco mais perto, curiosos, e perguntamos a um trabalhador, perto de uma retro-escavadeira, o que estava acontecendo.

“Amenaça de Coche-Bomba”
 

Ah tá, o condutor do trem não parou na estação de Peñota para evacuar as pessoas do trem o mais rápido possível. E os velhinhos de Santurtzi todos assistindo a presepada.

 
“A porra que vai ficar aqui pra ver!”
 

Aparentemente, ou o carro-bomba não explodiu, ou não havia carro-bomba, porque não ouvimos nada daqui do conforto da nossa casa (que chegamos em tempo-recorde). No caminho, todos os carros tinham um panfleto de protesto no para-brisa, colocaram o Partido Comunista de las Tierras Vascas, fundado em 1930 segundo o panfleto, na ilegalidade.

Esse pessoal de Cochabamba é bizarro..

Pessoal, fiquei tanto tempo sem escrever coisa nova que até o wordpress me pediu pra logar de novo..

Todavia, não vou deixar na mão a minha imensa audiência (composta ativamente pelo estonteante número de 3 pessoas, incluindo a minha mãe). Tenho algumas coisas novas para contar, e separei cada uma em um post. Assim, vou escrever (não necessariamente na seguinte ordem, as coisas que estão capituladas no meu caderno de bolso:

  • A Invasão dos Pássaros (em Santurtzi)
  • As Fantásticas Lixeiras Orgânicas e os Caminhões Robocops de Lixo (com vídeo)
  • “Vale!” Dublagem Assassina (nota)
  • O ônibus cordial (nota pequena)
  • Especial: Trilhas Sonoras dos Supermercados e Ônibus
  • Conversando ou Brigando? (outra notapequena)

Ah, coloquei fotos novas no Picasa, de Getxo, que fomos hoje: http://picasaweb.google.com/ugorox/Getxo

Posts

Há pouco tempo fiz o upload de algumas fotos na minha conta do Flickr e descobri que o meu limite era de 200 fotos. Limite esse que não me foi avisado no momento em que criei a conta, a uns 3 anos.. E agora eles querem me cobrar 45 reais por ano para que eu possa uplodear mais fotos. Caso contrário, a cada novo upload, fotos antigas não poderão ser mais vistas..

Tudo bem, depois de fazer um breve comparativo entre o Flickr do Yahoo e o Picasa do Google me pus a pensar matematicamente, vamos lá:

O Flickr te dá armazenamento ilimitado, em questão de kbytes, porém limita a quantidade de fotos. O Picasa, por sua vez, limita o seu armazenamento a “apenas” 1 GB, não importando a quantidade de fotos que você coloque lá.

Ora, todas as minhas fotos no Flickr foram redimensionadas, antes do envio*, pra o tamanho de 800×600. Um tamanho que julguei suficiente para visualizar minhas fotos de forma razoável, sem ter que esperar uma eternidade para que elas fossem enviadas.

Uma imagem de 2 Megapixels (1600×1200 pixels) ocupa em média 250kb. Redimensionada para 800×600 dá uma média de 125kb.

Assim, TODAS as minhas fotos que estão no Flickr hoje ocupam 125kb x 200 = 25000kb ou 24 Mb aproximadamente.

Por consequência, com 1GB no Picasa eu vou poder fazer o upload de

8388 fotos de 800×600 pixels

ou

4194 fotos de 2 Megapixels

que é foto pra C@R4$#@%!!

Estarei mudando meu álbum de endereço em muito breve, mesmo contrariando as estatísticas.

* minhas fotos foram redimensionadas pelo F-Spot, um programa para gerenciar fotos no Linux. Provavelmente é possível fazer esse redimensionamento antes do envio através do software Picasa, se você utiliza Windows, mas preciso ter certeza.

Foram 20 dias de viagem. Agora daqui da minha cristaleira transformada em escritório lembro das coisas que vi. Aqui nessa terra que amanhece só as 8 e meia da manhã, em que os queijos custam muito e os vinhos muito pouco, e a carne tem preço vegetariano.

a.jpg

A natureza definitivamente se mudou daqui: não existem formigas, por mais que você insista em deixar o copo de iogurte na mesa o dia inteiro. Nem as moscas nos visitam. Não que eu sinta falta, mas como deve se sentiir um europeu ao chegar no Brasil e ver o seu café saqueado pelas formigas?

As paredes são tão finas que se ouve a televisão do seu vizinho, e se você se concentrar por um minuto vai poder perceber sobre o que conversam ou comum pouco de esforço, quantas colheres de açúcar põem no café (ok, essa foi exagero). Ou seja: conversar alto só até as 11 da noite. Dá uma saudadinha da Federação, festa só até as 5. Da manhã.

E as janelas tão grossas que não se ouve um barulho de carro sequer, nem vendedores de verdura gritando as 6 da manhã, nem de jornal, nem de gás, nem amoladores de faca. Bom, se eles existem aqui eu não ouvi ainda, devem ter desistido.

Mas a viagem, sim, passamos por muita coisa, por várias cidades, alguns albergues e pensões, algumas noites mal dormidas, alguns conflitos, algumas paisagens lindas, alguns lugares caros demais pra entrar, outros de graça, de surpresa.

Pois bem, eu vi o trânsito caótico de Roma, uma cidade que não tem semáforos na maioria dos cruzamentos e onde é comum se ver cacos de vidro provenientes das batidas. Um motorista só para na faixa se você estiver na frente dele, acho que a multa por atropelo deve ser grande. Ou o conserto do carro.

Eu vi Edi perder e encontrar as luvas, cachecol e gorro pelo menos umas 4 vezes. Na última ele perdeu de vez o cachecol vermelho que está nas fotos do meu flickr.

Eu vi Nina chorar de saudade, depois de sair da Igreja de Monza.

Eu vi o Coliseu, uma obra de gênios construída com mais de 80 entradas para facilitar o fluxo de pessoas, ser explorada por idiotas que instituíram uma ÚNICA entrada e uma fila quilométrica, por 13 euros. Sem pão nem circo.

Eu vi o preconceito estampado na cara de s. Giuseppe, dono do hotel que ficamos em Mestre, perto de Veneza, ao falar de uma outra pensão que abrigava todo tipo de gente: “Albanesi, Africani..”.

Eu vi o enorme shopping center ao ar livre em que Veneza se transformou (não que eu a tenha visitado antes, mas imagino que não foi sempre assim). E vi o incrível sistema de transporte por barcos que tem lá, com estações como se fosse um metrô normal.

Eu vi Murano, onde tem fábricas de vidro artesanal.

Não vi fazendo os vidros, era feriado. chuif.

Eu vi que eu já estou a um tempão escrevendo isso aqui. Fim da parte 1.

Ah, e eu vi que eu acabei de ser aprovado no mestrado da PUC, brigado.

Só um vídeo, por enquanto:

Chegamos em Roma ontem à noite, muito cansados, e hoje vamos a Veneza de trem. Não temos fotos ainda, e a primeira impressão de Roma dá pra resumir nesse videozinho. É uma animação que me mandaram há um tempo, mostrando as diferenças da Itália para o resto (estereotipado ou não) da união européia.

Próxima Página »